Pequenas reflexões nerds

Tenho ficado mais em paz com os livros.

Eles estão deixando de ser fonte de tensão, daquela sensação de tudo o que eu deveria estar lendo e não estou, de tudo que eu deveria entender quando lesse e desconfio que não entenderei, e estão voltando a ser fonte de expectativa e de prazer. (Ainda que continuem se empilhando infinitamente na sincera intenção de serem lidos.)

Não tenho muita certeza quando foi que eles fizeram o caminho contrário… Mas estudar os livros, em livros, faz a gente perder aquele entusiasmo descompromissado. E aí mesmo quando aparecem passagens incríveis, de teoria ou literatura, elas sempre me lembram um pouco de todas as outras coisas incríveis que eu deveria estar lendo. Fora a sensação de que deveríamos estar lendo os livros em outra ordem, em outra velocidade, em outra língua.

Espero que esse novo (velho) sentimento dure.

***

Ainda no assunto livros, minha tia (que é um amor de pessoa e que lê o blog então aproveito pra puxar o saco) me mandou 2 livros em português, um deles de poesia do José Paulo Paes. Por motivos diversos tenho lido mais poesia do que de costume, mas sempre em japonês ou inglês, e fiquei impressionada o quanto é mais fácil/agradável ler em português.

Não sei se fico feliz porque pelo menos há uma língua em que me sinto mais esperta, ou triste porque a gente estuda, estuda, e as outras línguas continuam teimosamente sendo outras línguas.

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brasileira em tóquio!
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3 Responses to Pequenas reflexões nerds

  1. Marta says:

    Bem, comento só por uma “questão de ordem” (lembrando as assembléias da USP), já que minha pessoa foi citada. Curti a puxação de saco pública e adorei suas reflexões sobre as línguas que teimam em ser eternamente outras. Te entendo PERFEITAMENTE!! Quanto aos livros, terminei de ler A Lebre com olhos de Âmbar e recomendo muitíssimo a leitura – a parte do meio pode ser um pouco menos interessante, porque se estende na problemática dos judeus na Europa (embora seja muito bem escrita, inteligente e faça todo o sentido no conjunto do livro). Mas o começo e o final, com muita coisa sobre o Japão, são MUITO bons, acho que te interessariam por muitas razões.
    Bjs

  2. ciola says:

    talvez seja só algo que eu digo para me confortar… mas passado um tempo nessa mesma questão, decidi concluir que se você já pode participar de uma outra língua sem nenhum desconforto, isso é muito mais sinal de traição do seu próprio povo do que de assimilação de uma habilidade.

  3. Ciola, digamos que eu pratico a poligamia patriótica, então não me sinto mto traidora… Talvez começe a me sentir é meio retardada, se desaprender mais o português.
    Mas acho válido concluir coisas reconfortantes.

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